<blockquote>A moderna cirurgia de catarata pela técnica de facoemulsificação com implante de lente intraocular de alta tecnologia representa uma verdadeira revolução na medicina atual.</blockquote>
Dona Maria de Lourdes*deixa o consultório com um sentimento misto de apreensão e esperança. Apreensão pelo diagnóstico inesperado de catarata bilateral com indicação de cirurgia e esperança pela possibilidade de não necessitar mais de óculos, companheiros inseparáveis há mais de 20 anos. No caminho de volta para sua casa, muitos pensamentos vêm à mente e também dúvidas, algumas já esclarecidas pelo seu oftalmologista de confiança – “Não sentirei dor”. “Terei uma visão mais nítida, tanto para perto como para longe”. “Será implantada uma lente”. As orientações foram claras, mas a quantidade de informações somadas ao fator surpresa dificultou a compreensão de todos os aspectos do tratamento proposto. Começa a recordar-se de sua mãe, operada de catarata 2 anos antes de falecer, há mais de 20 anos. A recuperação havia sido lenta e após alguns meses precisou de lentes grossas para permitir-lhe uma visão satisfatória. Mas “a tecnologia atual é totalmente diferente e muito avançada. Trata-se de uma das mais seguras cirurgias da atualidade”, lembrou- -se das palavras do doutor. Quase chegando em casa, o sentimento de medo já havia diminuído e sentia-se mais tranquila com a decisão de melhorar sua visão.

O relato acima ilustra uma situação cada vez mais comum nos consultórios oftalmológicos de todo o mundo. A moderna cirurgia de catarata pela técnica de facoemulsificação com implante de lente intraocular de alta tecnologia representa uma verdadeira revolução na medicina atual. A oftalmologia evoluiu mais nos últimos 30 anos do que em toda sua história. O cristalino embaçado, sem a mesma transparência de antes, é por definição chamado de catarata. Microscópios cirúrgicos precisos, equipamentos estáveis e materiais específicos tornaram possível a substituição do cristalino opaco por uma lente especial de acrílico flexível através de um procedimento rápido e indolor. Todos estes fatores juntos permitem uma excelente recuperação visual.

Existem vários tipos de catarata, mas a mais comum é a senil, que inicia- se geralmente após os 60 anos de idade. Esta doença pode ser classificada em diferentes estágios e quanto mais avançada, pior a qualidade de visão. Antigamente, havia o conceito de deixar a catarata ficar “madura”, pois os riscos não justificavam uma cirurgia precoce. Hoje, se os exames pré-operatórios não mostrarem outras alterações que comprometam o prognóstico, a cirurgia pode ser realizada mesmo na fase inicial. Os benefícios devem ser discutidos com o médico e todas as expectativas precisam estar adequadas à realidade.

Uma das grandes diferenças da moderna cirurgia de catarata é o planejamento para correção do grau ou erro de refração pré-existente. Pacientes, ao se depararem com o diagnóstico de opacidade do cristalino, tem, na grande maioria das vezes, a possibilidade real de não necessitarem mais de óculos ou lentes de contato ou, pelo menos, diminuir a dependência destes. Equipamentos cada vez mais precisos fazem o cálculo do grau da lente intraocular (LIO) que será implantada, de forma a corrigir a hipermetropia, miopia ou astigmatismo. Mesmo que permaneça grau residual, este costuma ser mais baixo, o que muitas vezes dispensa os óculos para a maior parte das atividades. Assim, a tecnologia da LIO implantada é um fator que pode influenciar a maior ou menor dependência de óculos após a cirurgia.

Na cirurgia de catarata, o cristalino é removido através de um instrumento semelhante a uma caneta, conectada a um equipamento computadorizado de facoemulsificação, que confere estabilidade as estruturas internas do olho durante procedimento. Em seguida, a lente é implantada e tende a ficar estável para o resto da vida, não necessitando de substituição. Geralmente, suturas ou pontos são desnecessários e não existe sangramento. Estes passos são dependentes de tecnologia avançada, porém é fundamental a habilidade, conhecimento, experiência e treinamento do cirurgião. O oftalmologista opera com as duas mãos (firmes), os dois pés (um em cada pedal), os dois olhos e os dois ouvidos (atentos aos sons do equipamento).

A qualidade de visão é um dos aspectos de maior impacto na qualidade de vida. Às vezes, mesmo um indivíduo com catarata inicial e acuidade visual próxima de 100%, enxerga de maneira embaçada. Isto acontece de forma semelhante a olhar através de uma janela suja. A doença faz com que uma parede branca adquira tom amarelado, mas essa diferença só será percebida após a cirurgia, comparando o olho operado com o não operado. Com as lentes intraoculares substituindo o cristalino alterado, as cores ficam mais vivas, melhorando a sensibilidade ao contraste e a percepção de nuances e detalhes.

A cirurgia de Dona Maria de Lourdes* transcorreu sem nenhuma intercorrência, com excelente qualidade visual, tanto para longe como para perto. Aos 62 anos de idade, teve novamente a possibilidade de ir ao restaurante e ler o cardápio sem necessitar dos óculos. Hoje, consegue maquiar seus olhos, atividade corriqueira para muitas mulheres, mas difíceis para ela antes do procedimento. “Algumas ruguinhas tornaram-se mais visíveis, mas agora vou cuidar delas” brinca, feliz com esta nova etapa de sua vida.

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Autor: <strong>Rodrigo Marzagão</strong>

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